Que País é Esse? (Texto sobre o caso do menor Jõao Hélio)
Paro agora diante da tela do computador depois de um dia rotineiro de trabalho, estudos, lar...
Um dia no qual por onde andei, por mais que tentasse não pensar num fato terrível, que me tirou parte do sono da noite anterior, era constantemente abordada sobre o ocorrido :durante um roubo, os ladrões roubaram um carro no qual estavam a mãe e dois filhos menores e do qual, só conseguiram sair, a mãe e sua filha mais velha de treze anos, ficando o filho menor, preso pelo cinto de segurança, embora do lado de fora do carro, sendo este, arrastado por mais de sete quilômetros pelos assassinos frios que mesmo vendo que a criança encontrava-se presa e arrastada continuaram e pior, aumentaram a velocidade, fazendo movimentos de vai e vem para que a criança caísse pelo percurso, só parando , depois de não obterem êxito na tentativa de largar a criança ao logo do caminho,deixando o carro com a mesma presa ao cinto, obviamente já morta e trucidada .
Chega me dar náuseas ter que redigir todo o ocorrido, fico aqui pensando o que é isto?
O que mais vamos ter que assistir?
Coloco-me na posição da mãe , não consigo!
Ninguém consegue,que dor! Meu Deus, que horror!
Então me coloco na posição de cidadã e também não me sinto à vontade, ninguém se sente!
Fico então deslocada, como se não tivesse lugar para ocupar, e realmente não temos, pois se de repente alguém quiser o lugar até então por nós ocupado?
Que fazer? Cedermos? Me diria alguém, com certeza, digo eu, mas por favor,
seja delicado, educado, atencioso,
mesmo que ao logo de toda a sua vida não lhes tenha sido ensinado tais adjetivos, adjetivos? O que é isso?
Pois é, usem de toda a delicadeza, educação, atenção que puderem arranjar no momento oportuno, pois caso contrário, o indivíduo que lhe sucederá no lugar no qual estava , mesmo sendo este, fruto de seu suor, trabalho, dedicação e esforço durante toda a sua existência, poderá se magoar pela sua falta de trato em entregar-lhe de bom grado, claro,o que naquele momento ele decidiu lhe tirar. E aí me vem a dúvida: Porquê então eles não devolveram o filhinho à sua mãe?
Já não lhes tinham tirado o que tanto queriam?
Seu lugar já não havia sido por eles ocupado?
Com certeza não era o lugar de mãe que queriam ocupar e se assim fosse, porque não o ocuparam?
Certamente no lugar de mãe assim não agiriam.
Realmente não sei o que pensar, dizer ou até escrever,
apenas sei que deveríamos todos nos prepararmos para o carnaval,
pois lá sim é o nosso lugar,
e de lá ninguém nos tira,
não esquecendo, de levarmos a nossa belíssima fantasia
que passamos todo o ano bordando, enfeitando,
colando adereços , para que a cada ano ela fique com cara de nova,
apesar de ser por nós usada há vários, vários anos.
A nossa maravilhosa fantasia de PALHAÇO.
Lembrando ainda de pintar o rosto e colocarmos o famoso nariz vermelho.
Vermelho me lembra a cor do sangue dos inocentes que morrem ,por que nós insistentemente ,
não deixamos de usar a nossa famosa fantasia.
Então pergunto: Que país é esse?
É o país do carnaval......com todos nós vestidos de PALHAÇOS.
Caruaru,09/02/07
Sandra Jacqueline do Rêgo Miranda Cavalcante.
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